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Os três mundos de Karl Popper

Karl Popper construiu a teoria dos 3 mundos para explicar o problema da relação corpo-mente e embora esta teoria dos 3 mundos não explique essa relação na totalidade, dá-lhe pelo menos um sentido que pode ajudar a perceber este dualismo ou interacção, melhor dizendo, entre o corpo e a mente. Segundo Popper, trata-se do problema mais profundo e mais difícil da filosofia, o problema central da metafísica moderna. Como o homem é um ser espiritual, um ego, uma mente que se encontra intimamente ligada a um corpo sujeito às leis da física, ele encerra em si mesmo e também o problema da liberdade humana, que em todos os aspectos, incluindo político, é um problema fundamental; encerrando o problema da posição do homem no mundo físico, no cosmos físico, que é o mundo 1 de Popper. Esta teoria foi desenvolvida em oposição às doutrinas do materialismo, baseada numa definição especial da realidade, segundo a qual algo é real se puder afectar o comportamento de um objecto de grande escala.




Temos portanto que o mundo 1, que é o mundo dos acontecimentos físicos, onde se incluem substâncias, campos, todas as coisas materiais. Depois temos o mundo 2, que é o mundo dos acontecimentos mentais, da experiência consciente, perceptiva, visual, auditiva, mundo este onde se inclui o cérebro humano com todos os seus processos da consciência humana e por último, o mundo 3 que é o mundo das criações objectivas da mente humana, ou melhor dito, o mundo dos produtos da mente humana como as expressões linguísticas, os registos duradouros da realização humana, intelectual, bibliotecas, museus, ornamentos e utensílios.

Uma grande parte do mundo 3 consiste em objectos do mundo 1 transformados pelo mundo 2. Um exemplo: uma peça musical é mais do que um objecto do mundo 1 e é real porque a sua existência pode afectar o comportamento de objectos físicos de grande escala. Mas isto só é possível devido à intervenção de uma mente humana consciente. Sem uma mente, o mundo 3 não é real, mas tem o potencial de ser real. É preciso ler isto à luz das interpretações quânticas, segundo as quais os resultados das medições são reais apenas quando são observados.





No mundo 1, as substâncias invisíveis são reais (por exemplo o ar), porque podem afectar outros objectos visíveis. No mundo 2, os estados do cérebro são reais, enviam sinais através das linhas nervosas, fazem contrair os músculos que batem numa bola do mundo 1. As entidades do mundo 3 não são apenas objectos físicos nem estados cerebrais. Histórias, mitos, peças musicais, teoremas matemáticos ou teorias científicas, todos eles necessitam da intervenção de uma mente humana auto-consciente para se tornarem reais.

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