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O duplo défice - mental e abstracto

Se alguma pessoa se der ao trabalho de fazer um exercício rigoroso sobre a política portuguesa dos últimos anos não deixará por certo de ficar preocupada.
Os fundos que Portugal recebeu durante estes anos foram na realidade saqueados pelos políticos, pelas suas clientelas e pelos seus agentes que se serviram desse expediente para criar grupos de influência fortíssimos, quer em  Portugal quer nos corredores de Bruxelas, embora aqui em grau e importância diferentes. E é por isto mesmo que existe um défice associado às economias dos países. O défice não é mais do que a «linha delimitadora» dos terrenos passíveis de serem pisados. Nada mais do que isto, apesar de todo o chinfrim e carnaval associados a esta questão. É a chamada cosmética financeira.
 
Assim se compreende o engodo que andam os nossos governantes a criar por causa do défice! Castigam a classe trabalhadora e ilibam os verdadeiros culpados, num processo tão grosseiro e abusivo que se tornou uma mina de dinheiros e influências que não interessa perder. Não interessa perder porque para além de receberem proventos das asneiras feitas cá dentro, com o controlo do défice continuam, por outro lado, a receber os milhõezinhos de Bruxelas a pretexto de formações profissionais, modernizações, apoios e progressos. Este é o nosso triste fado, governados por uns críptolas de fato e gravata cá dentro e por um bolchevismo "hilariante" nas profundezas dos corredores de Bruxelas.

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